Asus ROG Strix G16: o notebook gamer que surpreende mais no trabalho do que nos jogos
Meses atrás, tivemos a oportunidade de analisar o irmão mais robusto desta linha, o Asus ROG Strix Scar 16, equipado com um processador Intel Core Ultra 9 275HX e uma GeForce RTX 5080. Agora é a vez do ROG Strix G16, um modelo posicionado um degrau abaixo na hierarquia da Asus, mas que traz uma novidade interessante: é o primeiro notebook que testamos com o processador AMD Ryzen 9955HX3D.
A configuração da unidade avaliada inclui ainda uma placa de vídeo GeForce RTX 5070 Ti, 32 GB de memória DDR5-5600 e um SSD de 1 TB. Enquanto o ROG Strix Scar 16 custa US$ 3.299, o G16 chega ao mercado por US$ 2.499, uma diferença considerável. Diante dessas especificações, a expectativa era de um desempenho estelar em jogos a 1080p. O resultado, no entanto, foi diferente do esperado: o notebook se saiu bem em jogos, mas realmente brilhou nos testes de produtividade.
Especificações do Asus ROG Strix G16
Antes de entrar nos detalhes da análise, vale conferir a ficha técnica completa da unidade testada:
| Componente | Especificação |
|---|---|
| CPU | AMD Ryzen 9955HX3D |
| Gráficos | Nvidia GeForce RTX 5070 Ti (12 GB GDDR7, clock boost de 1.500 MHz + overclock de 50 MHz, 115 W + boost dinâmico de 25 W) |
| Memória | 32 GB DDR5-5600 (2 x 16 GB) |
| Armazenamento | SSD PCIe 4.0 NVMe M.2 de 1 TB |
| Tela | 16 polegadas, 2560 x 1600, 240 Hz, formato 16:10 |
| Conectividade | MediaTek Wi-Fi 6E (MT7922), Bluetooth 5.3 |
| Portas | 2x USB4 Type-C, 3x USB 3.2 Type-A Gen 2, 1x HDMI 2.1, entrada para fone de ouvido de 3,5 mm, Gigabit Ethernet |
| Câmera | Webcam IR 1080p |
| Bateria | 90 Wh |
| Adaptador de energia | 280 W |
| Sistema operacional | Windows 11 Home |
| Dimensões (L x P x A) | 13,94 x 10,39 x 0,89 polegadas |
| Peso | 2,5 kg (5,51 libras) |
| Preço (conforme configurado) | US$ 2.499,00 |
Com essa combinação de hardware, o ROG Strix G16 se posiciona como uma opção intermediária dentro do catálogo gamer da Asus, equilibrando poder de processamento e um preço mais competitivo. A seguir, veja como esses números se traduzem em desempenho real.
Design: elegância com alguns cortes de custo
A mudança mais sentida, porém, está na parte inferior do chassi. O Scar 16 trazia um painel traseiro com sistema de liberação rápida, bastando deslizar uma trava para removê-lo em segundos. Já o G16 volta ao método tradicional, com 11 parafusos Philips prendendo a tampa. É uma pena que esse recurso prático não tenha sido estendido a toda a família ROG, mesmo sabendo que poucos usuários abrem o notebook com frequência.
A iluminação RGB também foi reduzida. No Scar 16, a faixa de luz percorre todo o perímetro da base do notebook; no G16, ela se limita à parte frontal e a pequenas seções das laterais. São ajustes que fazem sentido do ponto de vista de custo, mas que reduzem um pouco o apelo visual do conjunto.
Apesar desses cortes, o G16 preserva a qualidade construtiva que conhecemos da linha Scar: plástico de alta qualidade no chassi, tampa em alumínio e um teclado com acabamento acetinado, agradável tanto ao toque quanto durante a digitação.
Em termos de conectividade, o lado direito conta apenas com duas portas USB 3.2 Tipo A. Já o lado esquerdo concentra o restante: conector de alimentação proprietário, uma porta LAN Gigabit Ethernet, HDMI 2.1, duas portas USB4 Tipo C e uma entrada de fone de ouvido de 3,5 mm.
Nas dimensões, o ROG Strix G16 mede 35,4 x 26,4 x 2,3 cm e pesa 2,5 kg, ficando entre os mais leves de sua categoria. Para efeito de comparação, o Scar 16 pesa 2,8 kg, o Razer Blade 16 fica em 2,1 kg e o Alienware 16 Area-51 chega a 3,4 kg.
Jogos e gráficos: bom, mas não o melhor do grupo
O grande destaque técnico do G16 é o processador Ryzen 9955HX3D, apresentado pela AMD como o "processador para jogos mobile mais rápido do mundo", graças aos seus 128 MB de cache L3, 16 núcleos e clock boost de até 5,4 GHz. As expectativas para os jogos em 1080p eram altas.
Durante uma sessão de aproximadamente uma hora com Indiana Jones and the Great Circle, em resolução nativa de 2560 x 1600 e configurações gráficas em Ultra, o notebook manteve cerca de 100 quadros por segundo (fps) conectado à tomada número que caiu para 60 fps quando desconectado da energia.
Nos benchmarks padronizados, o cenário foi misto. Em Shadow of the Tomb Raider (configurações máximas), o G16 ficou atrás de concorrentes equipados com RTX 5080 e RTX 5090, mas ainda assim entregou 151 fps em 1080p e 92 fps em 1600p números respeitáveis mesmo em último lugar no comparativo.
Em Cyberpunk 2077 com ray tracing em Ultra, a diferença para os concorrentes diminuiu: o G16 registrou 54 fps em 1080p e 29 fps em 1600p, enquanto o Razer Blade 16 liderou com 66 fps e 43 fps, respectivamente.
Foi em Far Cry 6 que o Ryzen 9955HX3D mostrou do que é capaz: o G16 assumiu a liderança em 1080p, com 143 fps, superando o Alienware 16 Area-51 por mais de 20 quadros. Em 1600p, o desempenho caiu para o terceiro lugar (102 fps), mas ficou bem próximo dos 106 fps do concorrente.
Já em Red Dead Redemption 2 (configurações médias), o G16 ficou mais distante da liderança, com 70 fps em 1080p e 52 fps em 1600p, contra 117 fps e 84 fps do Alienware 16 Area-51. Em Borderlands 3 (configurações Badass), o notebook entregou 143 fps em 1080p e 97 fps em 1600p, ficando atrás dos modelos equipados com RTX 5080.
No teste de estresse com Metro Exodus, ao longo de 15 execuções, a média de quadros ficou em 101,5 fps. Os núcleos Zen 5 operaram a 3,02 GHz em média, com temperatura de 73,8 °C, enquanto a GPU rodou a 2,19 GHz e 78,7 °C números que indicam um bom gerenciamento térmico mesmo sob carga prolongada.
Produtividade: aqui o G16 realmente se destaca
Se nos jogos o desempenho foi bom sem ser espetacular, é na produtividade que o Ryzen 9955HX3D mostra sua verdadeira força. Isso não é surpresa, já que o chip é baseado no mesmo silício Zen 5 de classe desktop do Ryzen 9 9950X3D. Combinado a 32 GB de RAM DDR5-5600 e um SSD Micron PCIe 4.0 de 1 TB, o conjunto se torna um dos mais competentes da categoria para tarefas exigentes.
No Geekbench 6, o G16 liderou tanto no teste de núcleo único (3.205 pontos) quanto no de múltiplos núcleos (20.113 pontos), superando o Alienware 16 Area-51, que registrou 3.097 e 19.822 pontos respectivamente.
O padrão de liderança se repetiu no teste de armazenamento, em que copiamos 25 GB de arquivos multimídia variados: o G16 atingiu uma taxa de transferência de 1.903,64 MB/s, superando levemente o próprio ROG Strix Scar 16, que ficou em 1.841,40 MB/s.
A sequência de vitórias só foi interrompida no teste de transcodificação com o Handbrake, convertendo um arquivo de vídeo 4K para 1080p. O Alienware 16 Area-51 completou a tarefa em 1 minuto e 58 segundos, contra 2 minutos e 14 segundos do G16 uma diferença de apenas 16 segundos.
Tela: resolução alta e taxa de atualização generosa
A tendência de telas WQXGA (2560 x 1600) em notebooks gamers se confirma no ROG Strix G16, que ainda conta com uma taxa de atualização de 240 Hz em seu painel de 16 polegadas.
Nos testes instrumentados, o desempenho da tela ficou muito próximo ao do ROG Strix Scar 16, com diferenças de poucos pontos percentuais. O painel IPS cobriu 79,7% do espaço de cores DCI-P3 e 112,5% do espaço sRGB em volume. Para trabalhos criativos que exigem alta precisão de cor, talvez não seja a escolha ideal, mas para uso geral e jogos, a reprodução de cores se mostrou bastante satisfatória.
Conclusão
O Asus ROG Strix G16 é a prova de que nem sempre é preciso pagar o preço máximo para ter um notebook gamer competente. Com o processador AMD Ryzen 9955HX3D, ele entrega um desempenho consistente em jogos sem liderar todos os testes, mas sempre próximo dos concorrentes mais caros e surpreende positivamente quando o assunto é produtividade, onde os 128 MB de cache 3D e o silício de classe desktop realmente fazem a diferença.
As concessões de design, como a perda do sistema de liberação rápida na tampa inferior e a redução da iluminação RGB, são compreensíveis diante do corte de preço em relação ao ROG Strix Scar 16. Para quem busca um equilíbrio entre desempenho em jogos, força bruta para tarefas profissionais e um valor mais acessível, o ROG Strix G16 se posiciona como uma opção bastante interessante dentro do portfólio da Asus especialmente para usuários que dividem o tempo entre partidas competitivas e trabalho pesado no mesmo equipamento.
No fim das contas, este é um notebook que cumpre bem os dois papéis a que se propõe, com um discreto favoritismo pelo lado produtivo algo raro de se ver em máquinas voltadas primariamente para o público gamer.

